Da outra vó

Quando a vó Dinah morreu, eu tinha 4 para 5 anos. Éramos muito grudadas e a mãe conta que ela gostava muito de mim porque eu era quietinha e companheira. Lembro de assistir ao Sítio do Picapau Amarelo enquanto ela fazia tricô ou lia a Contigo.
Quando ela tava no hospital, minha tia deu um jeito de me esconder debaixo duma maca. Assim eu podia visitar a vó. Eu pedia pra ela apertar a minha mão pra dor ir embora. E ela choraaaava…

Vó Dinah cozinhava bem e muito. A família era grande, sempre tinham uns agregados, o vô tinha padaria e ela ainda cismava em fazer a comida para os padeiros todos. Mandava sobremesa e tudo!
Até que um dia soube que misturaram o pudim de leite com arroz e feijão. Pra quê?! Diante de tamanha ofensa, ela simplesmente parou de mandar comida. Deve ter feito um escarcéu, que ela era bem brava!

Tenho lembrança de passar o domingo (pra mim parecia o dia inteiro, mas devia ser umas poucas horas) ao lado dela enquanto ela fazia macarrão. Eu podia brincar com uma bolinha de massa e um toquinho de cabo de vassoura. Quando ela terminava de cortar e estender a pasta pra secar, vinha pro meu lado fazer vários modelos de chapéu com a massinha pra “vestir” o cabo da vassoura. Não lembro se ela desenhava olhinhos e boquinha, ou se eu que imaginava.
Engraçado que não me lembro do gosto do macarrão pronto, só de como ela fazia.



6 comentários em “Da outra vó

  1. babi

    ai ai fer… to aki com lagrima nos olhos.. que coisa mais amada…
    fico muito triste de não ter conhecido essa vovó…. que infelizmente se foi meses antes de eu nascer… 🙁

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  2. Raul

    Vó era bom mesmo! Não conheci a materna, mas a mãe de meu pai lia Seleções Readers Digest e ouvia muito rádio, principalmente as radio-novelas “Jerônimo – O herói do sertão e o policial “O Santo”. Tudo isso está na minha memória e nas minhas ações desde os dois ou três anos. Freud explica.

    Mais uma vez, melhoras!!!!

    Responder
  3. Anna Cristina Scarton

    Nossa, Fê, me emocionei com sua história. Que linda!!! Também sinto muitas saudades da minha avó materna. Quando ela morreu eu já tinha uns 20 anos, mas ela me faz uma falta…
    Beijo no coração,
    Cris

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